Apesar da assinatura do contrato, a água não chegará às torneiras de imediato. O projeto, elaborado pela Sanesul com apoio da bancada federal, segue agora para análise da Caixa Econômica Federal.

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Em um anúncio aguardado há décadas pelas comunidades indígenas, o governador em exercício, José Carlos Barbosa (Barbosinha), assinou na manhã desta sexta-feira (16) o contrato para a implantação do sistema definitivo de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó. O investimento, estimado em R$ 48,7 milhões, promete ser a solução para um dos problemas mais graves e históricos da Reserva Indígena de Dourados: a escassez crônica de água potável.

Prazos e Execução
Apesar da assinatura do contrato, a água não chegará às torneiras de imediato. O projeto, elaborado pela Sanesul com apoio da bancada federal, segue agora para análise da Caixa Econômica Federal. Confira o cronograma previsto:

Início da Licitação e Obras: Entre 4 a 6 meses.

Tempo de Execução: Aproximadamente 2 anos para a conclusão total.

Escopo: Perfuração de poços, construção de reservatórios e rede de distribuição completa até as residências.

O Desafio da Cobrança e Operação
Um ponto sensível tocado pelo governador em exercício é a gestão do sistema. Como a Sanesul é uma empresa que depende de tarifas, o governo estadual iniciará tratativas com órgãos federais para definir quem pagará a conta e como será feita a operação. A instalação de hidrômetros (relógios de água) foi mencionada como uma necessidade para o controle do consumo, mas a forma de cobrança dentro de terras indígenas ainda passará por discussões administrativas e jurídicas.

Medidas Emergenciais Continuam
Sabendo que a obra levará tempo, Barbosinha garantiu que o atendimento via caminhões-pipa não será interrompido. O suporte continuará sendo feito pela Sanesul e pela Sesai, reforçado por novos veículos adquiridos através de emendas parlamentares.

Saúde e Dignidade
Para as lideranças e moradores da Jaguapiru e Bororó, o anúncio é recebido com uma mistura de esperança e vigilância. Após anos de protestos e riscos à saúde devido ao armazenamento improvisado de água, o investimento de quase R$ 50 milhões é visto como um marco para a dignidade humana na maior reserva indígena do estado.

“Investimento em saneamento representa saúde e qualidade de vida”, afirmou Barbosinha, destacando que a meta é universalizar o serviço em todo o Mato Grosso do Sul.